Sobre Brasília

 

BRASÍLIA - SOB O SIGNO DA CRUZ

"Dois eixos cruzando-se em ângulo reto,ou seja, o próprio sinal da cruz"
(Lúcio Costa)

 

Cruz ermida de Dom Bosco.

Traços indeléveis de espiritualidade assinalam a geografia e a história da capital do Brasil.
No início de fevereiro de 1955, o marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, presidente da Comissão de Localização da Nova Capital, acompanhado do marechal Mário Travassos e do médico Ernesto Silva, visitou o Planalto Central. Em abril do mesmo ano, solicitou ao governador de Goiás, José (Juca) Ludovico, como uma de três providências urgentes, o erguimento de uma cruz no ponto mais alto da região.
Graças às gestões do operoso engenheiro Bernardo Sayão, vice­governador de Goiás, belo Cruzeiro foi aí chantado. Cogitou-se mesmo de uma missa a ser celebrada junto a ele, em 9 de julho do mesmo ano de 1955, pelo Cardeal Jaime de Barros Câmara, Arcebispo do Rio de Janeiro, com a presença do presidente Café Filho. A pedido do mesmo dinâmico Bernardo Sayão, o padre salesiano Cleto Caliman oficiou uma Eucaristia no local, em fevereiro de 1956.
Em 15 de junho de 1956, às 9h30, desceu, de pequeno avião, em rudimentar pista, Bernardo Sayão. Em ritmo acelerado, conseguiu transforma-la em campo de pouso. Mandou, então, escrever à margem dele, no próprio chão, com cal, em letras gigantescas de quase cinco metros cada, o nome Vera Cruz.
Em 2 de outubro de 1956, em sua primeira viagem a Brasília, o presidente Juscelino Kubitschek aterrissou na pista, onde posteriormente surgiria a Rodoferroviária. Ele, sua comitiva e os anfitriões - entre os quais o governador de Goiás, Juca Ludovico,  e Bernardo Sayão, já diretor-executivo da Nova Capital ­deslocaram-se  logo  para  o  grande Cruzeiro de madeira, no ponto mais alto da região.
Uma cruz de singular beleza encima a ermida de Dom Bosco, projetada por Oscar Niemeyer, a pedido de Israel Pinheiro. Em forma de pirâmide triangular, a primeira obra de alvenaria concluída em Brasília foi inaugurada em 31 de dezembro de 1956. A ela afluem numerosos visitantes, entre os quais, anualmente, muitos devotos em procissão terrestre ou náutica, no domingo mais próximo de 30 de agosto, data que, em 1883, ocorreu o famoso sonho do santo visionário que anteviu o surgimento de uma terra prometida entre os paralelos 15 e 20.
O grande urbanista Lúcio Costa, vencedor, em 26 de março de 1957, do Concurso do Plano Piloto, assim expôs a inspiração de seu projeto: "A presente solução nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o “próprio sinal da Cruz".
Junto ao Cruzeiro, em lugar hoje situado entre o Memorial JK e a Catedral Militar, a 1.173m de altitude, o cardeal Carlos Carmelo Motta celebrou a primeira missa, oficialmente programada, no dia 3 de maio de 1957, festa - no calendário litúrgico da época - da Santa Cruz. Assinalou o oficiante, como três marcos culminantes da vida nacional: o descobrimento em 1500, a independência em 1822 e a fundação da nova capital. O presidente Kubitschek enfatizou: "Com a primeira missa, planta­-se em Brasília uma semente espiritual".
Em 2 de fevereiro de 1960, chegou a Brasília a caravana de integração nacional, composta de quatro colunas, provenientes de Belém (Norte), Porto Alegre (Sul), Rio de Janeiro (Este) e Cuiabá (Oeste). Coincidentemente, formavam uma cruz. Na prece natalina a Brasília, escreveu Guilherme de Almeida, príncipe dos poetas brasileiros: "Agora e aqui é a Encruzilhada Tempo-Espaço, caminho que vem do passado e vai ao futuro. Caminho do Norte e do Sul, do Leste e do Oeste. Caminho de ao longo do mundo; agora e aqui todos se cruzam pelo sinal da Santa Cruz".
A mesma Cruz histórica da frota de Cabral, diante da qual Frei Henrique de Coimbra celebrou, em 1500, na Bahia, a Primeira Missa do Brasil, esteve no altar armado na Praça dos Três Poderes em 21 de abril de 1960 para a Eucaristia celebrada pelo Cardeal Manuel Cerejeira na inauguração de Brasília. Neste mesmo dia, dirigindo-se aos candangos, disse o presidente Kubitschek: "A vontade de Deus ergueu esta cidade. Com o pensamento na Cruz em que foi celebrado o Santo Sacrifício, peço ao Criador que mantenha cada vez mais coesa a unidade nacional, que nos dê sempre esta atmosfera de paz, indispensável ao trabalho fecundo, e conserve em vós, obreiros de Brasília, o mesmo espírito forte com que erguestes a grande cidade".
É relevante recordar que, na manhã de 21 de abril de 1975, o governador do Distrito Federal, engenheiro Elmo Serejo Farias, doou, para sua guarda e conservação, ao Clube dos Pioneiros de Brasília, representado pelo seu presidente Newton Egydio Rossi, a Cruz junto à qual foi rezada, em 1957, na futura capital da República, a Primeira Missa oficialmente programada. A solenidade ocorreu no mesmo local do histórico acontecimento, sendo uma das testemunhas o arcebispo de Brasília, Dom José Newton de Almeida Batista. Esta Cruz encontra-se na Catedral de Brasília.
Muitos abnegados missionários da Fé ­de diferentes denominações religiosas ­labutaram zelosamente nos primórdios de Brasília. Entre eles, certamente, ocupa lugar de relevo o padre salesiano Roque Valiati Batista. Nasceu em 15 de agosto de 1918, em Inhaúma, a mais antiga das comunidades do município de Iconha (ES). Exerceu o ministério sacerdotal nas distantes cidades de Bagé (RS), Jaciguá (ES), Araxá (MG), Vitória (ES) e Goiânia (GO). O padre Roque assumiu, desde os inícios, a direção da Paróquia Dom Bosco, no Núcleo Bandeirante, a primeira a ser criada no então futuro território da Arquidiocese de Brasília, em 16 de julho de 1957, por dom Fernando Gomes de Oliveira, arcebispo de Goiânia. Em 24 de dezembro seguinte, padre Roque já celebrou a Missa de Natal na recém­construída igreja de madeira. Fundador de escola para os filhos de trabalhadores, prestativo, solidário na dor e dedicado à promoção social de sua grei, tornou-se figura humana muito querida. Após 37 anos de incansáveis serviços à comunidade, faleceu em 15 de junho de 1994. Seus restos mortais jazem na nova igreja por ele edificada.
Repetidas vezes, os antístites de Brasília, Dom José Freire Falcão e Dom João Braz de Aviz, celebraram, no mesmo histórico sítio, a Santa Missa nos dias 3 de maio (festa da Santa Cruz) e 12 de setembro (data natalícia do presidente Juscelino Kubitschek). A permanência dessas tradições no mesmo local - oxalá emoldurado com construções semelhantes às de 3 de maio de 1957 ­contribuirá certamente para que seja reiterada e ouvida a prece do fundador de Brasília nesse inolvidável evento: "Que Brasília se modele na conformidade dos altos desígnios de Deus, que a Providência faça da realidade terrestre um reflexo da cidade divina".

Pe.José Carlos Brandi Aleixo SCE Eq. 12 F Professor Emérito da UNB

 

Um pouco de Brasília, sede do XI Encontro Internacional das ENS

 

Catedral Metropolitana de Brasília
Brasília é a capital da República Federativa do Brasil, localizada no território do Distrito Federal. Também conhecida como "Capital da Esperança", título dado pelo escritor francês André Malraux, foi inaugurada em 21 de abril de 1960, pelo então presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, sendo a terceira capital do Brasil. A partir desta data iniciou-se a transferência dos principais órgãos da administração federal para a nova capital com a mudança das sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário federais. No último censo realizado pelo IBGE (2007) foi indicada uma população de 2.455.903 de habitantes, e que a capital federal tem o maior PIB per capita do Brasil (R$ 22.430,14) Seguida de São Caetano do Sul (cidade mais desenvolvida do Brasil) com 0,934 de IDH e (R$ 20.050,81) de Pib per Capita . Está situada na Região Centro-Oeste. O plano urbanístico da capital, conhecido como "Plano Piloto", foi feito pelo urbanista Lucio Costa, que também concebeu o Lago Paranoá, o qual armazena 600 milhões de metros cúbicos de água. Muitas das construções da Capital Federal foram projetadas pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer.

Vista do interior da catedral



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O Local do Encontro


Ginásio Nilson Nelson
O Ginásio Nilson Nelson é localizado na cidade de Brasília, em uma posição bastante central, perto da Catedral de Brasilia.

Com capacidade para 12 mil pessoas, foi inaugurado em 21 de abril de 1973. Recebeu no nome de Ginásio Nilson Nelson em homenagem a um jornalista.

Sua estrutura e conforto agradou aos membros da Comissão Organizadora do XI Encontro Internacional das ENS. decidindo na sua escolha para sediar o evento em julho de 2012 no Brasil.

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